Gritou. Assustou-se com o desespero do seu próprio grito. Levou ambas as mãos aos olhos sem pupilas, que vertiam lágrimas cegas. No sonho de que acabara de acordar, sonhara que via e que distinguia as coisas pelas cores e pelas formas. Só quando acordou e se viu imersa nas já demasiado familiares trevas é que conseguiu descansar o coração, que ameaçava saltar-lhe do peito. Suspirou, abriu bem os olhos, sem réstia de sono, e nada viu, apenas o negrume de sempre. Sorriu, debilmente, e fechou os olhos. Gritou. Assustou-se com o desespero do seu próprio grito. Levou ambas as mãos aos olhos negros, que vertiam lágrimas brilhantes. No sonho de que acabara de acordar, sonhara que não via, e que nada distinguia no meio da escuridão. Só quando acordou e se viu imersa nas magníficas cores do mundo que a rodeava é que conseguiu descansar o coração, que ameaçava saltar-lhe do peito. Suspirou, abriu bem os olhos, sem réstia de sono, e tudo viu, cheio de cores como sempre. Sorriu, debilmente, e fechou os olhos. Gritou.
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