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21/11/2014

LITERATURA

... um dia abri um livro de Calvino, e depois um de Borges e perdi-me nas suas páginas. Viajei por cidades impensáveis e tão reais quanto a minha imaginação, e descobri objectos fantásticos, infinitos e eternos.

No dia seguinte tentei juntar os dois, perceber como ligar Calvino, o absurdista e arquitecto de sonhos, com Borges, o cerebral e criador de maravilhas. A relação prometia ser óbvia, mas manteve-se tudo menos visível.

Li-os de uma ponta à outra, procurei outros livros, li-os também, descobri Doroteia pelos olhos de um e perdi páginas no livro arenoso de outro. Quando voltei a olhar o mundo, tinham-se passado meses.

Génios, ambos. LITERATURA com todas as letras grandes, daquela que não se lê, absorve-se, contempla-se, deseja-se!

E tudo isto porque...

05/06/2014

Cega?



Gritou. Assustou-se com o desespero do seu próprio grito. Levou ambas as mãos aos olhos sem pupilas, que vertiam lágrimas cegas. No sonho de que acabara de acordar, sonhara que via e que distinguia as coisas pelas cores e pelas formas. Só quando acordou e se viu imersa nas já demasiado familiares trevas é que conseguiu descansar o coração, que ameaçava saltar-lhe do peito. Suspirou, abriu bem os olhos, sem réstia de sono, e nada viu, apenas o negrume de sempre. Sorriu, debilmente, e fechou os olhos. Gritou. Assustou-se com o desespero do seu próprio grito. Levou ambas as mãos aos olhos negros, que vertiam lágrimas brilhantes. No sonho de que acabara de acordar, sonhara que não via, e que nada distinguia no meio da escuridão. Só quando acordou e se viu imersa nas magníficas cores do mundo que a rodeava é que conseguiu descansar o coração, que ameaçava saltar-lhe do peito. Suspirou, abriu bem os olhos, sem réstia de sono, e tudo viu, cheio de cores como sempre. Sorriu, debilmente, e fechou os olhos. Gritou.

bizzar