26/09/2014

No escuro #6

E o melhor de tudo é que no escuro tu não gritas. Nem pestanejas. Apenas tremes de medo. Sei-o bem. Consigo ver-te.

25/09/2014

No escuro #5

É fácil distraires-te. Não vês, não ouves, mas sentes que está lá. Encoberto. À espera. Nesses momentos em que tudo parece parar, faz-me um favor: sustém a respiração, acalma o coração, não te mexas e concentra-te. Eu sei que percebes. Está ali.

24/09/2014

No escuro #4

O que quer que seja, também não faz barulho. Vive silenciosamente, acompanhado apenas de ausência. Não te quer para nada, não precisa de ti. Mas então... Porque é que te calas? Quando fica escuro, porque é que falas menos e ouves mais? Não há nada para ouvir, excepto a tua própria respiração, talvez o bater do teu coração. Não achas isso estranho? Quando apenas o que vive na escuridão te pode ver, ganhas mais noção do teu próprio corpo. Mas não era a ti que devias prestar atenção.